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Posts Tagged ‘Grécia’

Não há duas sem três

Fevereiro 25, 2012 Deixe um comentário
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O Dominó explicado e como nos salvaguardar!

Fevereiro 24, 2012 Deixe um comentário

Desde o início da crise das dívidas soberanas muito se fala sobre o efeito dominó que a bancarrota de um dos países em dificuldades pode provocar em toda a Europa. Veja-se na tabela a exposição do sistema bancário à dívida soberana dos principais países em dificuldade em relação ao Core Tier 1 da Banca.

Isto mostra que a própria Alemanha e a França estão altamente expostas às dívidas dos PIIGS. Por essa razão, a não ser que consigam manter os contribuintes dos PIIGS a pagar, não só pelos erros dos políticos corruptos ou incompetentes, mas também pelos erros dos bancos alemães, etc., bancos estes que embarcaram na viagem iniciada com a criação do Euro emprestando dinheiro à tripa-forra aos PIIGS, estes países que estão a impôr a austeridade aos PIIGS não conseguirão escapar ao contágio.

Observe-se ainda aqui um racional sobre os riscos associados a um banco que poucos duvidariam de considerar sólido como o Deutsche Bank que entraria em sérias dificuldades no caso da bancarrota grega. Isto porque o problema não reside apenas na dívida soberana, mas no facto de no caso de haver um “default” também a dívida privada seguiria uma trajectória semelhante alargando ainda mais o contágio. Isto tudo enquanto a Grécia continua a financiar a banca europeia não só com os resgates, mas também pela oferta das suas reservas de ouro. Os contribuintes gregos estão assim prestes a alienar o pouco que lhes sobra para uma corja de banqueiros, que mesmo após receberem largos milhões de Euros em condições altamente vantajosas, irão continuar a necessitar que os estados continuem a financiar buracos sem fundo. Só vejo que isto irá levar a um elevar de intensidade das guerras monetárias que actualmente decorrem. Isto porque a resposta dos bancos centrais não tem sido nada mais que atirar mais dinheiro para a economia com os fantásticos resultados que se vislumbram até à data.

Seja como for, pessoalmente não vejo que seja possível uma saída airosa de toda esta situação, mas dado o proteccionismo que é dado a determinados sectores das economias do Sul a austeridade era e é necessária para resolver estas situações, mas sozinha não será capaz de resolver todos os problemas. Por essa razão, prevejo que a zona Euro irá colapsar, ou os países que estão a financiar os resgates acabarão por aceitar a mutualização das dívidas e é por causa dessa hipótese que não vejo alternativa à austeridade, porque sem estas medidas muito dificilmente esta opção subiria à mesa das negociações.

Assim para concluir e alertar para algumas formas das pessoas se protegerem contra o que com grande certeza acontecerá fica a seguinte questão em vídeo… Na situação de possuir um qualquer valor e o tivesse de guardar por 5 anos num cofre em que formato optaria por o guardar?

Inovadora forma de combate ao desemprego

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

Nada como passar a obrigar os trabalhadores a pagarem para trabalhar para o desemprego acabar…

Até quando os gregos continuarão a ceder à chantagem?

 

Leituras essenciais (2)

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

Henrique Raposo de volta após interregno… só foi pena o artigo de 2ª feira… deu azar pah! 🙂

Certos alemães também têm uma troika.

Convém perceber que, tal como os EUA, a Alemanha é um bicho complexo, com diferentes tons e camadas. Para começo de conversa, estamos perante uma federação. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que existe tensão entre os diversos estados da Alemanha. E, não por acaso, esta tensão interna lança uma nova luz sobre a política externa do gigante. Um exemplo: diversos estados da Alemanha, liderados pela Baviera, forçaram a cidade de Berlim a assinar uma espécie de memorando da troika interno. Ou seja, antes de aplicar a troika ao exterior, a Alemanha aplicou a troika a si própria. Berlim cometeu os mesmos pecados dos países do sul da Europa: acumulou uma dívida tremenda, mas não tem capacidade para a pagar. Os responsáveis berlinenses justificam a dívida com obras que transformaram a cidade numa coisa sexy. Resposta do ministro das finanças da Baviera? “Pois, Berlim é sexy, mas somos nós que pagamos”. Percebe-se muito bem a irritação dos bávaros: a dívida da região de Munique é de apenas 2.600 por habitante, enquanto que a dívida de Berlim está na casa dos 18.000 euros por habitante. Berlim é, portanto, a Grécia interna da Alemanha.

 

Coisas que não me entram na cabeça…

Fevereiro 21, 2012 Deixe um comentário

Como aqui frisei, o mundo está a braços com uma crise financeira que está muito perto de chegar ao seu zénite. Tenhamos só em conta todo o burburinho que um pequeno país como a Grécia provoca para subentender que a banca está de tal forma endividada e alavancada que a mais infíma instabilidade no castelo de cartas em que esta assenta, provocará o colapso de todo o sistema. Só isso pode justificar todo o temor à volta de um pequeno país com um PIB de cerca de 250 mil milhões de Euros (0,4% do PIB Mundial).

Com todas estas condições não consigo entender como os investidores acedem a comprar dívida a 2 anos a uma taxa de 0,31% dos EUA. Com uma taxa destas, estamos no limiar onde mais vale ficar com o dinheiro no bolso, dado que ao chegar à maturidade o investidor ver-se-ia com pelo menos -4% de poder de consumo (Considerando que a inflação não sobe mais que 2% como advogam os principais bancos centrais mundiais, neste caso em particular como o FED advoga). Recentemente tivémos uma situação idêntica com a Alemanha onde se chegou ao extremo da taxa ser negativa para o investidor.

Então não valia mais ficar com o dinheiro debaixo do colchão neste caso?

EUA no caminho para o desastre? E o resto do mundo imita!

Fevereiro 21, 2012 2 comentários

Todo o mundo está a braços com uma das maiores crises financeiras da história. Esta crise teve o seu berço à mais de uma década com medidas de desregulamentação dos mercados. Esta inadvertidamente ou não levou-nos à criação de diversas bolhas especulativas que logicamente acabaram por rebentar.

Numa situação desta gravidade os bancos centrais e governos ao invés de deixarem cair as entidades que no primeiro lugar levaram a essa queda, optaram por executar diversos bailouts a estas entidades usando para isso o dinheiro dos contribuintes.

Mas e a catástrofe que seria todas essas entidades que estão interligadas, onde a dívida de uma é a propriedade de outra, e que falhando uma todas as outras se seguiriam estilo dominó? Sim, seria dramático não ponho em causa, mas certamente seria mais justo para com todos os que não tiveram quaisquer culpas no cartório e não arriscaram em actividades financeiras com risco associado.

A realidade é que o cidadão comum desconhece em grande parte todos os movimentos que ocorrem entre estas grandes corporações e os governos. De tal forma, que estas empresas, em particular nos EUA, contratam batalhões de lobistas para literalmente comprar a classe política corrupta vigente. Enquanto isso, os bancos centrais lá vão injectando milhões nas contas destas entidades falidas de modo a mantê-las à tona, à custa da pobreza de todos os que não têm acesso aos que ditam as leis e que vão sofrendo com o aumento dos preços que resulta da diluição do valor da moeda.

Veja-se por exemplo a distinta forma como as campanhas de angariação de fundos ocorrem, onde os multi-milionários têm direito a tempo de antena exclusivo, enquanto os populares têm de se contentar a um discurso pré-fabricado sem qualquer contacto com os candidatos. Estes burocratas não estão preocupados com a populaça a não ser que esta se revolte e ameace seriamente o seu status quo.

Atendendo a todos os dados que se podem observar neste local que muitos querem destruir, pela facilidade com que a informação é transmitida sem restrições, sinto que ainda há muitas pessoas que não têm a mínima noção do que nos espera e não estão preparadas para o colapso que muitos já vêm advogando. Entretanto, as autoridades competentes vão continuando a indicar que tudo está bem, que estão a ser efectuadas as medidas para corrigir os problemas. Realmente várias medidas estão a ser efectuadas, mas veja-se só para quem vão os bailout’s do caso grego.

Muito mais teria para falar, só o vídeo que aqui apresento tem inúmeros temas importantes, mas para não ficar um post demasiado largo, nem demasiado confuso, fico-me por aqui. Mas noutros posts continuarei a falar sobre o perigoso mundo em que vivemos actualmente.

Tecnocratas?! Porque não?

Muito se tem discutido sobre o facto dos tecnocratas que agora governam os destinos da Itália e da Grécia não terem sido democraticamente eleitos e por essa razão são governos que os comentadores cá da casa gostam de afirmar não ter um mandato legítimo para governar.

Pessoalmente discordo desta situação porque estes tecnocratas, apesar das pressões que provavelmente existiram para não se realizarem imediatamente eleições, foram aprovados pelos parlamentos democraticamente eleitos pelos cidadãos desses países. Encontrando-se estes países num modelo político de democracia representativa (e não de democracia de rua), não vejo que a legitimidade desapareça porque o parlamento opte por nomear para o governo técnicos que não tenham uma relação directa com o espectro dos partidos dos representantes eleitos.

Julgo que como tem sido hábito, como por exemplo no movimento OWS, o alvo das críticas está a ser mal dirigido.

É na minha opinião muito mais grave que os burocratas que elegemos não passem de ovelhas que seguem o rebanho e cujo único interesse é a reeleição. Estes são em boa maioria a voz de um dono e tiram partido da posição privilegiada em que se encontram para negociatas que lhes são altamente lucrativas e que distorcem a economia, com a agravante de sugarem o erário público o mais que conseguem pelo meio.

Com isto dito, os governos tecnocráticos até podem ser benéficos em situações de crise. Não estando ligados directamente a um partido não são alvo de restrições que impedem os governos partidários de tomar decisões difíceis pelos impactos eleitorais que essas medidas provocam.

Por outro lado, os deputados de todos os partidos passam a estar envolvidos no processo de fiscalização do governo. Isto porque mesmo os partidos maioritários não estando ligados directamente ao governo tecnocrático em função, têm o dever de observar as acções que se pretendem realizar e aprová-las caso exista concordância com as mesmas e não por simplesmente ser o governo do seu partido. Acredito que seriam ainda inibidos alguns exageros relacionados com os ódios inter-partidários o que poderia levar a melhorias significativas do debate democrático.

Infelizmente nada é perfeito e as ligações à Goldman Sachs dos tecnocratas nomeados são no mínimo suspeitas. Não há bela sem senão…