O Dominó explicado e como nos salvaguardar!

Fevereiro 24, 2012 Deixe um comentário

Desde o início da crise das dívidas soberanas muito se fala sobre o efeito dominó que a bancarrota de um dos países em dificuldades pode provocar em toda a Europa. Veja-se na tabela a exposição do sistema bancário à dívida soberana dos principais países em dificuldade em relação ao Core Tier 1 da Banca.

Isto mostra que a própria Alemanha e a França estão altamente expostas às dívidas dos PIIGS. Por essa razão, a não ser que consigam manter os contribuintes dos PIIGS a pagar, não só pelos erros dos políticos corruptos ou incompetentes, mas também pelos erros dos bancos alemães, etc., bancos estes que embarcaram na viagem iniciada com a criação do Euro emprestando dinheiro à tripa-forra aos PIIGS, estes países que estão a impôr a austeridade aos PIIGS não conseguirão escapar ao contágio.

Observe-se ainda aqui um racional sobre os riscos associados a um banco que poucos duvidariam de considerar sólido como o Deutsche Bank que entraria em sérias dificuldades no caso da bancarrota grega. Isto porque o problema não reside apenas na dívida soberana, mas no facto de no caso de haver um “default” também a dívida privada seguiria uma trajectória semelhante alargando ainda mais o contágio. Isto tudo enquanto a Grécia continua a financiar a banca europeia não só com os resgates, mas também pela oferta das suas reservas de ouro. Os contribuintes gregos estão assim prestes a alienar o pouco que lhes sobra para uma corja de banqueiros, que mesmo após receberem largos milhões de Euros em condições altamente vantajosas, irão continuar a necessitar que os estados continuem a financiar buracos sem fundo. Só vejo que isto irá levar a um elevar de intensidade das guerras monetárias que actualmente decorrem. Isto porque a resposta dos bancos centrais não tem sido nada mais que atirar mais dinheiro para a economia com os fantásticos resultados que se vislumbram até à data.

Seja como for, pessoalmente não vejo que seja possível uma saída airosa de toda esta situação, mas dado o proteccionismo que é dado a determinados sectores das economias do Sul a austeridade era e é necessária para resolver estas situações, mas sozinha não será capaz de resolver todos os problemas. Por essa razão, prevejo que a zona Euro irá colapsar, ou os países que estão a financiar os resgates acabarão por aceitar a mutualização das dívidas e é por causa dessa hipótese que não vejo alternativa à austeridade, porque sem estas medidas muito dificilmente esta opção subiria à mesa das negociações.

Assim para concluir e alertar para algumas formas das pessoas se protegerem contra o que com grande certeza acontecerá fica a seguinte questão em vídeo… Na situação de possuir um qualquer valor e o tivesse de guardar por 5 anos num cofre em que formato optaria por o guardar?

Gestão sustentável e a Europa como a nova China?

Fevereiro 24, 2012 Deixe um comentário

Não sou de longe o maior fã dos produtos da Apple, pois ainda que tenham sido pioneiros com produtos como o iPod ou o iPad, estes são produtos que num curto espaço temporal tiveram concorrência de outros produtos que à excepção de uma ou outra funcionalidade fazem o mesmo por um preço mais competitivo!

Contudo, não posso deixar de elogiar algumas das práticas desta empresa que considero exemplares! Por exemplo, esta é uma empresa que mesmo após apresentar resultados financeiros verdadeiramente admiráveis (ainda que em boa parte seja possível explicá-los à luz de truques contabilísticos ou à fraqueza que o dólar vem demonstrando), se vira para os seus accionistas e diz que não serão distribuidos quaisquer dividendos! Foi um autêntico murro no estômago para cerca de 2 centenas de hedge funds, entidades que têm sofrido grandes perdas e que andavam a apostar em acções da Apple. Isto porque se os mercados americanos estão positivos, muito o devem à Apple que tem estado em contra-ciclo com a maioria das grandes empresas cotadas nas bolsas americanas.

Na realidade qualquer empresa verdadeiramente inovadora tem de canalizar uma boa parte dos seus ganhos para a produção de novos produtos e serviços sobre pena de deixar de ser competitiva, e para o efeito é necessário investimento! Assim se a Apple distribuísse dividendos iria haver menos margem para o efeito. Por outro lado, é verdade que a Apple está sentada numa montanha de liquidez e esse é outro dos grandes valores da empresa. Isto porque particularmente numa fase de tantas incertezas não existe nada com mais valor que uma empresa ser independente financeiramente de qualquer entidade, ou dito de forma mais actual, nada como possuir uma bela de uma almofada para aparar possíveis quedas.

Este tipo de gestão, ainda que não se possa fazer comparações directas entre uma empresa como a Apple e uma qualquer micro ou pequena empresa, contrasta com tudo o que se vê em muitos empresários cá do burgo, onde quando um qualquer negócio dá os seus frutos, é ver esse valor a desfazer-se rapidamente nas mais variadas actividades lúdicas! Depois, quando o negócio passa por dias menos bons não existe fundo de maneio e começam logo as pieguices do negócio estar mau, ou o isto já não é como antigamente!

No entanto, nem tudo são rosas como se verifica com a guerra de patentes de onde não consigo vislumbrar que seja possível haver um vencedor, ou com as suspeitas que regularmente se lançam sobre as condições de trabalho, tanto entre os milhares de chineses que trabalham nas fábricas que produzem os seus produtos (FoxConn) como com os trabalhadores mais “privilegiados”. Mas não se pode esquecer também, particularmente em relação aos trabalhadores da FoxConn, que a crítica teria de ser dirigida à maioria de todas as grandes empresas que deslocalizaram a sua produção à procura de salários mais baixos. Curiosamente essa vantagem competitiva aos poucos desvanece-se como comprova o caso mais recente da Great Wall, uma empresa de automóveis chinesa, que se deslocalizou para a Europa, mais em concreto para a Bulgária à procura da competitividade que empresas como a Apple também procuram.

 

Inovadora forma de combate ao desemprego

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

Nada como passar a obrigar os trabalhadores a pagarem para trabalhar para o desemprego acabar…

Até quando os gregos continuarão a ceder à chantagem?

 

Leituras essenciais (2)

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

Henrique Raposo de volta após interregno… só foi pena o artigo de 2ª feira… deu azar pah! 🙂

Certos alemães também têm uma troika.

Convém perceber que, tal como os EUA, a Alemanha é um bicho complexo, com diferentes tons e camadas. Para começo de conversa, estamos perante uma federação. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que existe tensão entre os diversos estados da Alemanha. E, não por acaso, esta tensão interna lança uma nova luz sobre a política externa do gigante. Um exemplo: diversos estados da Alemanha, liderados pela Baviera, forçaram a cidade de Berlim a assinar uma espécie de memorando da troika interno. Ou seja, antes de aplicar a troika ao exterior, a Alemanha aplicou a troika a si própria. Berlim cometeu os mesmos pecados dos países do sul da Europa: acumulou uma dívida tremenda, mas não tem capacidade para a pagar. Os responsáveis berlinenses justificam a dívida com obras que transformaram a cidade numa coisa sexy. Resposta do ministro das finanças da Baviera? “Pois, Berlim é sexy, mas somos nós que pagamos”. Percebe-se muito bem a irritação dos bávaros: a dívida da região de Munique é de apenas 2.600 por habitante, enquanto que a dívida de Berlim está na casa dos 18.000 euros por habitante. Berlim é, portanto, a Grécia interna da Alemanha.

 

Leituras essenciais

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

Seguro aposta na desgraça

O grosso da austeridade contra as pessoas e as micro empresas está feito. Não é possível esticar muito mais este violento programa de ajustamento fiscal. O seu cumprimento cabal vai, aliás, continuar a doer a muitos de nós, durante uma década ou mais…Falta a reforma estrutural do Estado, tornando-o mais seco, mas também mais responsável, competente, tecnicamente independente e respeitável. Falta descontinuar as rendas da elite de ricos incompetentes que muito contribuiu para arruinar este país. Falta estabelecer regras de concorrência na economia, e regras de concurso público universais nas relações entre o Estado e a sociedade das pessoas e das empresas. Falta estabelecer de vez a transparência, a justiça e a supervisão independente das leis e das regras e acordos. E falta, por fim, quebrar a espinha aos banqueiros e aos especuladores corruptos, assim como aos oligopólios da energia, das rodovias e da saúde. 

Curiosamente, é precisamente agora, que falta tudo isto que o Memorando prevê, que o seminarista (in)Seguro vem exigir mais tempo! Mais tempo para quê? Ou para quem? Para perpetuar o anestesiado, indolente, paquidérmico e partidário Estado que temos? Para manter os monopólios? Para manter aconchegados os bancos e os rendeiros que fazem chegar o financiamento partidário, e sobretudo garantem os tachos de onde vêm e para onde vão os filhos partidários mais privilegiados da democracia degenerada que temos?

Ainda não vi o seminarista (in)Seguro do PS dizer ao país o que quer.

Só mais crescimento, é isso que o demagogo António José Seguro quer? Mas como, homem? Explique-se! Quer adiar tudo o que do Memorando da Troika ainda falta fazer: das reformas do Estado e da economia, ao fim dos privilégios desproporcionados e indecentes da burguesia parasitária e corrupta que domina o país? É isso que quer?

Que significado pode ter este lip sync do burocrata que sucedeu a Sócrates? Eu só vejo um: o medo de enfrentar a mão que alimenta boa parte dos incompetentes bonzos do PS!

O pedido deste transitório secretário-geral do PS não é mais, em suma, do que uma receita para colocar Portugal no estado miserável em que a Grécia está!

Categorias:Ligações Directas

Chinese subprime bubble in the making

Fevereiro 22, 2012 Deixe um comentário

aqui tinha apresentado uma relação entre a construção imparável de arranha-céus e bolhas imobiliárias, nesta reportagem podemos observar as verdadeiras cidades fantasma que os chineses estão a construir, criando riqueza fictícia. Até quando conseguirão manter o aumento artificial do PIB?

Podiam pelo menos oferecer uma casa a cada chinês…

The duty of youth is to challenge corruption…

Fevereiro 21, 2012 Deixe um comentário

Hoje tive um dia bastante activo no blog, motivado também por um maior número de visitas e pelo facto de estar esta semana de férias… A minha homenagem atrasada a Kurt Cobain que faria ontem 45 anos

“The duty of youth is to challenge corruption”