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Archive for the ‘Outros’ Category

Da falta de sentido crítico

Fevereiro 20, 2012 Deixe um comentário

Lê-se aqui uma história comovente de uma trabalhadora do estado que foi obrigada a mudar as suas funções, com a justificação da política de mobilidade. São apresentados alguns argumentos que permitem elevar a indignação contra o que foi feito contra esta pobre senhora e em prejuízo de todos os cidadãos. Até aqui tudo bem, não fosse qualquer pessoa com 2 dedos de testa perceber as vantagens que um serviço privado de limpezas pode trazer a uma qualquer empresa ou entidade pública. Não sendo esse o “negócio” de uma determinada entidade, ter pessoas dedicadas a essa necessidade, muitas vezes quando o trabalho se consegue efectuar sem necessidade de ter essas pessoas a tempo inteiro e atendendo ainda às presumíveis poupanças que se conseguem obter com os custos associados à gestão de toda a envolvência relacionada (detergentes, aspiradores, etc.), rejeitar o privado só porque este cobra mais do que a senhora recebia é inferiorizar todo o trabalho que é realmente realizado por este tipo de empresas.

Não ponho em causa a existência de favores ou não, ou se o valor cobrado pelo privado não será excessivo, gostava apenas de desejar um maior sentido crítico ao que se escreve ou apresentação de factos reais e não apenas suspeições. Já era hora de deixar-mo-nos de demagogias baratas, se há coisas que devemos mudar apresente-se soluções melhores e bem fundamentadas.

Os sindicatos como solução para o desemprego

Fevereiro 12, 2012 Deixe um comentário

Não querendo transpôr esta situação ao que se passa neste nosso rectângulo, será esta actuação aceitável?

Aproveitando que falo em sindicatos e numa nota relativa à manifestação de ontem no Terreiro do Paço, irrita-me seriamente a constante luta dos números. Se por um lado o Terreiro do Paço não alberga os 300.000 propagandeados, por outro lado, é óbvio que para ouvir o tipo de discurso monocórdico dos sindicatos não é preciso estar no local, basta andar com um leitor de cassetes com o conteúdo apropriado. É que está frio e certamente que os cafés das redondezas eram mais convidativos. Isso ou para os mais activos um pequeno passeio para aquecer os músculos.

Coreia do Norte

Não tenho ligado muito ao triste espectáculo que a Coreia do Norte nos tem presenteado, mas hoje não pude deixar de passar…

Norte coreanos que não tenham chorado copiasamente a morte do Querido Líder arriscam-se a passar 6 meses num campo de trabalhos forçados.

O meu profundo pesar para com os desgraçados que têm de sofrer pela infinita estupidez que grassa aquele país.

Hackers e prioridades…

Acabei de ler a notícia que dá conta que um site do PSD terá sido atacado ao início desta tarde. Sendo ligado à área informática custa-me ver que muitas destes hackers tendo capacidade para fazer coisas bem mais produtivas, optam por gastar o seu tempo com ataques mixurucas. Não é que não tenham impacto, mas convenhamos que ter acesso ao site do PSD-Lisboa não estará nas prioridades da maioria dos portugueses. Mas como eu próprio desconheço a profunda utilidade do site, que neste momento ainda se encontra indisponível, ou pelo menos eu não consigo acedê-lo, questiono-me sobre os danos que este ataque conseguiu efectuar. Acedendo a um site do PSD de outro distrito e supondo que as informações nele contidas serão semelhantes não vejo que estar impedido de aceder a eventos ou outras informações que provavelmente são enviadas por newsletters ou outros mecanismos para todos os que acedem com maior regularidade ao site. Por esta razão não consigo justificar este ataque de outra forma do que uma busca por notoriedade. No entanto, como nesta situação não existiu reinvindicação por nenhum grupo ou indivíduo esse mesmo propósito torna-se inválido.

Nessa mesma notícia são ainda mencionados ataques informáticos a bancos por parte de hackers numa operação ao bom estilo de Robin Hood, mas qual o espanto quando verifico que o objectivo do ataque não é ajudar, a título de exemplo, a acabar com os 46 milhões de americanos que estão dependentes dos famosos foodstamps para acederem a uma refeição, mas sim oferecer alguns produtos da Apple a pessoas menos afortunadas.

Robin hood

Não defendendo estas acções quero ainda assim perguntar se serei só eu a julgar que as prioridades andam todas trocadas…

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Os feriados

Já tinha guardado um post para falar sobre a temática dos feriados, mas ainda não tinha tido a paciência de escrever o texto sobre os mesmos. Hoje ao ler mais um post sobre o assunto num dos blogs que vou acompanhando decidi finalmente escrever a minha visão sobre o tema.

Entre os feriados que actualmente existem no nosso país sou favorável à eliminação exclusiva de feriados religiosos. Afinal, se vivemos num país que se quer laico, ainda que uma vasta maioria da população seja católica, julgo que alguns dos feriados ligados à religião poderiam ser removidos. Entre estes as minhas escolhas recairiam entre 2 os feriados, “Corpo de Deus”, “Assunção de Maria”, “Imaculada Conceição” e “Todos os Santos”. Além disso quantos são os que realmente sabem indicar o significado de alguns destes feriados? Sobre a importância de cada um deles não me imiscuo porque serei das pessoas menos indicadas para o fazer pela exacta razão de não conhecer o seu significado (Não vale ir ao amigo Google agora! :)). Assim essa tarefa de seleccionar os feriados a eliminar deve ser delegada a quem é autoridade na área usando como principal critério de avaliação a importância relativa de cada um.

Já em relação a feriados civis, como parte integrante da nossa história e cultura, não me revejo na sua eliminação. Antes a sua comemoração oficial, poderia ser móvel, passando para uma 2ª ou 6ª feira de acordo com o dia que fosse mais próximo eliminando desta forma o verdadeiro cancro dos feriados que são as tolerâncias de ponto. Contudo, daria preferência a uma solução que mantivesse os feriados civis nos dias correctos, mas não permitindo qualquer veleidade de tolerâncias de ponto. Se qualquer funcionário assim o desejasse teria de tirar um dia das suas férias naturalmente.

Ainda sobre os feriados civis,  ainda que a cada nova geração se note que existe um maior desinteresse pelo significado desses dias, ou pelo menos é a ideia que muitas vezes passa na comunicação social, julgo ser importante mantê-los por representarem marcos importantes da nossa história que devemos lembrar.

Mas porquê 2 feriados? Exclusivamente porque tendo que reduzir feriados este é um número que colocava o nosso país na média europeia o que permite eliminar argumentos de estarmos na cauda ou no topo desse indicador.

Em relação às justificações com a produtividade, apesar do possível incremento que pode surgir, é também pouco provável que esta medida aumente genericamente a produtividade em todos os sectores da economia, havendo até dúvidas sobre se não terá influência negativa. Seria muito mais urgente agilizar um sem número de reformas que trariam potenciais ganhos de produtividade muito mais significativos que a eliminação de feriados.

No fundo é triste que este tema tenha de surgir neste preciso momento, ainda por cima com a conotação economicista em que este se envolve. Consigo compreender que se defenda a eliminação de alguns feriados como até eu próprio acabo a defender, mas não pelas razões em cima da mesa.

Outras leituras sobre o tema:

Uma proposta bastante interessante que julgo que poderia demonstrar alguns dos pontos que foco neste texto.

E quando a crise for hipoteticamente passado?

Banha da cobra

Basta de fazer passar as pessoas por estúpidas… numa peça que passou à minutos na SIC sobre as máquinas de venda de ouro o representante de uma dessas lojas de compra de ouro que começaram a nascer como cogumelos nos últimos anos apresenta uma máquina que permite às pessoas comprar ouro com relativa facilidade… Esqueceram-se de referir é que o preço da grama de ouro no mercado está a cerca de 40€ e estes senhores vendem a grama a 70€.

Vodpod videos no longer available.

Isto é ainda mais ultrajante quando o senhor que faz a publicidade à máquina indica que a compra do ouro na máquina funciona preferencialmente como um investimento em que a pessoa deve aguardar pela provável valorização do ouro nos mercados e que até num dia pode ver o seu investimento a dar frutos.

Bem não será necessário dizer que para isso acontecer o ouro teria de sofrer uma valorização num dia que nos últimos anos só aconteceu num espaço temporal de aproximadamente 3/4 anos.

Belo negócio. Não se deixem enganar.

Se quiserem comprar ouro, no Insurgente são dadas boas dicas. Eu próprio aconselho vivamente a compra no BCP, porque entre este, a CGD e o BPI é o que exige o menor prémio.

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Privatização da RTP e os privados já instalados

Com as constantes notícias sobre a futura privatização de um canal da RTP o Dr. Pinto Balsemão veio recentemente defender que a mesma iria criar sérios problemas às empresas privadas já existentes no sector. Isto porque as receitas sobre a publicidade tenderiam a diminuir com um aumento da oferta de espaço publicitário que a privatização da RTP1 naturalmente geraria. Até aqui não há grande novidade dado que havendo uma maior oferta ao nível do espaço publicitário os preços de venda desses espaços tendem a sofrer depreciações. É a lei da oferta e procura. O problema não está nesta verdade à lá palice, mas sim nas pressões efectuadas com a ameaça da ruína dos actuais players privados do sector audiovisual português!

Consigo perceber que o Dr. Pinto Balsemão queira o seu ganha pão bem monopolizado e controlado para garantir a sua renda. No entanto, como aqui é muito bem exemplificado isso é o que acontece nos diferentes sectores concorrenciais da economia! O que o Dr. devia ter falado é que o momento sendo difícil exige um potenciar dos rendimentos publicitários através de uma programação capaz de atrair mais espectadores e com isso ganhar margem negocial para vender o seu espaço publicitário por valores superiores, ou seja criar valor para os seus clientes! Em alternativa poderia ainda explorar novas fontes de receita, mas pensar em como atacar esses nichos é mais difícil que manter o status quo!

Não quero com isto dar a ideia que concordo em absoluto com todos os dados que nos chegam sobre a futura privatização da RTP.

No entanto, queria destacar aqui a preocupação em relação à obrigatoriedade do futuro comprador usar os meios actuais de produção ao dispor da RTP, que serão restruturados e inseridos numa nova empresa. Na minha opinião o problema de se criar mais concorrência num sector já saturado nem se coloca. Afinal de contas, suponho que a própria RTP já use esses meios para as suas produções e por isso ao futuro comprador a não ser que já tenha interesses numa outra empresa da área, só vislumbro vantagens em tornar-se sócio de um empresa com conhecimento da área de produção. Além da ideia errada que é pensar que haver mais concorrência é necessariamente uma coisa má.

Enfim na intervenção de Pinto Balsemão vejo uma forma de pensar de muitos portugueses que gastam o seu precioso tempo mais preocupados em garantir o seu status quo do que em criar valor para as suas empresas. Urge alterar esta forma de pensar em todos os sectores económicos portugueses de forma a garantir uma transição mais duradoura da crise que atravessamos.