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Gestão sustentável e a Europa como a nova China?

Não sou de longe o maior fã dos produtos da Apple, pois ainda que tenham sido pioneiros com produtos como o iPod ou o iPad, estes são produtos que num curto espaço temporal tiveram concorrência de outros produtos que à excepção de uma ou outra funcionalidade fazem o mesmo por um preço mais competitivo!

Contudo, não posso deixar de elogiar algumas das práticas desta empresa que considero exemplares! Por exemplo, esta é uma empresa que mesmo após apresentar resultados financeiros verdadeiramente admiráveis (ainda que em boa parte seja possível explicá-los à luz de truques contabilísticos ou à fraqueza que o dólar vem demonstrando), se vira para os seus accionistas e diz que não serão distribuidos quaisquer dividendos! Foi um autêntico murro no estômago para cerca de 2 centenas de hedge funds, entidades que têm sofrido grandes perdas e que andavam a apostar em acções da Apple. Isto porque se os mercados americanos estão positivos, muito o devem à Apple que tem estado em contra-ciclo com a maioria das grandes empresas cotadas nas bolsas americanas.

Na realidade qualquer empresa verdadeiramente inovadora tem de canalizar uma boa parte dos seus ganhos para a produção de novos produtos e serviços sobre pena de deixar de ser competitiva, e para o efeito é necessário investimento! Assim se a Apple distribuísse dividendos iria haver menos margem para o efeito. Por outro lado, é verdade que a Apple está sentada numa montanha de liquidez e esse é outro dos grandes valores da empresa. Isto porque particularmente numa fase de tantas incertezas não existe nada com mais valor que uma empresa ser independente financeiramente de qualquer entidade, ou dito de forma mais actual, nada como possuir uma bela de uma almofada para aparar possíveis quedas.

Este tipo de gestão, ainda que não se possa fazer comparações directas entre uma empresa como a Apple e uma qualquer micro ou pequena empresa, contrasta com tudo o que se vê em muitos empresários cá do burgo, onde quando um qualquer negócio dá os seus frutos, é ver esse valor a desfazer-se rapidamente nas mais variadas actividades lúdicas! Depois, quando o negócio passa por dias menos bons não existe fundo de maneio e começam logo as pieguices do negócio estar mau, ou o isto já não é como antigamente!

No entanto, nem tudo são rosas como se verifica com a guerra de patentes de onde não consigo vislumbrar que seja possível haver um vencedor, ou com as suspeitas que regularmente se lançam sobre as condições de trabalho, tanto entre os milhares de chineses que trabalham nas fábricas que produzem os seus produtos (FoxConn) como com os trabalhadores mais “privilegiados”. Mas não se pode esquecer também, particularmente em relação aos trabalhadores da FoxConn, que a crítica teria de ser dirigida à maioria de todas as grandes empresas que deslocalizaram a sua produção à procura de salários mais baixos. Curiosamente essa vantagem competitiva aos poucos desvanece-se como comprova o caso mais recente da Great Wall, uma empresa de automóveis chinesa, que se deslocalizou para a Europa, mais em concreto para a Bulgária à procura da competitividade que empresas como a Apple também procuram.

 

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