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Ouro como refúgio?!

A última década tem sido particularmente positiva para quem possua investimentos físicos em ouro (Quem aposte nos ETF [Exchange Traded Funds] associados ao ouro bem pode tremer após o que aconteceu com o MF Global). Esta situação tem levado a que muitas pessoas especulem sobre se este não se encontra sobre o efeito de uma bolha especulativa.

Olhando para o gráfico observa-se que o ouro disparou com especial força no momento em que rebenta a crise do sub-prime no final de 2008. Isto derivou essencialmente da tentativa de estimular a economia por parte do Banco Federal Americano com o pressuposto de reverter a situação de recessão que se vivia nos EUA. Por seu turno o Banco Central da República Chinesa no sentido de não perder demasiada competitividade nas suas exportações em relação ao seu maior cliente tem vindo desde então a manter alguma paridade com o dólar. A expansão monetária das 2 maiores economias mundiais leva a que o valor das suas moedas decresça, o que se traduz numa tendência inflacionista no preço de bens. Até aqui tudo bem e seria natural o ouro aumentar à razão da inflação. O que acontece é que o ouro têm sido valorizado bem acima da inflação.

Por via de uma justificação simplista, afirmaria que dado o momento de incerteza e com as políticas monetárias instáveis e agressivas, os investidores e aforradores continuarão a aumentar a sua exposição ao metal amarelo como forma de se refugiar dessas políticas. Logo, pela lei da procura e oferta, esta procura leva ao aumento ainda maior dos preços.

Em grande parte este movimento acaba por justificar significativamente o facto de o ouro nos últimos tempos ter suplantado relações históricas com outros metais como a platina e a prata, dado que os investidores tendem a refugiar-se aí e não tanto nos restantes metais preciosos. Isto não prova claro que o ouro está sobrevalorizado, mas sim, e aí são muitas as fontes que não o negam, é que existe uma sobrevalorização do ouro relativamente a esses outros metais. Isto indica antes a existência de uma oportunidade única de investimento.

Por outro lado, voltando a questões relacionadas directamente com o preço do ouro, urge perceber a forma como se calcula actualmente a inflação e o PIB de um país.

Isto faz pressupor que o facto de se associar ao preço do ouro com a inflação pode não ser particularmente fiável. Mais uma vez apoiando a subida que o ouro tem tido, e mostrando que esta pode estar longe de parar.

Para o futuro, com a iminência de uma ruptura no seio da zona Euro com o possível abandono do Euro por parte dos países do Sul da Europa ou com o abandono da Alemanha (sérias dúvidas, ler a opinião de Henrique Raposo para entender o que se encontra em jogo, apesar de conselheiros próximos de Angela Merkl não colocarem de parte a hipótese) ou ainda com a hipótese cada vez mais real do próprio Banco Central Europeu iniciar a impressão sem limite de moeda (se bem que isso já está a ocorrer de uma forma algo encapotada), o futuro do ouro e dos restantes metais preciosos não pode deixar de se manter risonho.

Nota: Não sendo especialista na matéria, mas apenas alguém interessado, se tiverem comentários ou correcções 🙂

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