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Declaração de repúdio à idiotice

Num país que em nos últimos 6 meses viu nascer manifestos que nem cogumelos por toma lá aquela palha não podia faltar aquela declaração de repúdio às declarações de Passos Coelho em relação à classe docente que já aqui discuti.

Tomei a liberdade de aceder ao sítio onde quem concorda com a declaração pode colocar o seu nome em apoio pela mesma. Tive particular curiosidade na secção que mostra as razões pelas quais as pessoas assinam. Ao lê-las fiquei mesmo a pensar se é esta a classe docente que temos? Aquela que se adjectiva como uma das mais qualificadas do país? Classe cujos argumentos não conseguem passar de acusações à pessoa e não aos méritos ou não da sugestão que o nosso primeiro-ministro efectuou. Existem mesmo vários comentários que indicam uma preferência pela omissão das verdades, porque estas não se devem dizer.

Gostava de relembrar que Pedro Passos Coelho também deu uma solução para estas pessoas se manterem em Portugal. Mas se quiserem também podem redigir um manifesto contra a alternativa de mudança de área profissional. Sei que a capacidade de encontrar argumentos idiotas para esse manifesto não faltarão.

No entanto, urge desmistificar algumas das vantagens e desvantagens propaladas da emigração. Apesar do estado poder ver reduzidos os seus encargos com subsídios de desemprego, etc., subscrevo as dúvidas apresentadas neste texto quanto ao destino das poupanças dos emigrantes. Por outro lado, na suposição que em particular os jovens docentes decidam realmente emigrar não se estará a fomentar a tendência demográfica actual que levou à sugestão de Pedro Passos Coelho, criando-se um ciclo vicioso? Sim é possível, mas não se pode descurar a situação difícil em que o país se encontra, e não seria estranho que sendo esta fase ultrapassada, poderiam ser implementadas medidas de apoio à natalidade no sentido de reverter ou pelo menos minimizar a tendência actual da nossa demografia. Já em relação à questão de estarmos a formar pessoas que irão enriquecer outros países, sou da opinião que não podemos esquecer que vivemos num mundo cada vez mais globalizado e que os emigrantes levam sempre algo do seu país. Pense-se nos “Descobrimentos”, onde apesar de termos ido além fronteiras os benefícios para o país foram imensos. Assim, porque é que não se pode olhar para os ganhos que a emigração pode trazer? Por exemplo, imagine-se que em 2 ou 3 anos essas pessoas optam por voltar a Portugal… Não virão com uma experiência fora de portas que poderá ser benéfica?

Contudo mais que tudo isto, o que me deixa ainda mais estarrecido com todo este caso é a dúvida de não saber onde andavam todas estas vozes à precisamente um ano?

Para finalizar e como gosto de números, não pude deixar de ler mais um post d’O Insurgente e verificar que os números são ainda mais desfavoráveis do que julgava para a classe docente. Ainda assim, sabendo da existência de professores a leccionar turmas com mais de 25 alunos, questiono-me se a distribuição dos recursos não poderia ser urgentemente reavaliada.


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