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Falácias do Mercado Livre e do Capitalismo

Não sendo, de longe, um especialista em matérias económicas, mas apenas alguém interessado pelas mesmas, deparo-me recorrentemente com afirmações com a base de que os mercados e o capitalismo são entidades demoníacas que só pretendem enriquecer à custa do proletariado. Essas são afirmações comuns mas em grande parte falaciosas.

Para começar aconselho a visualização do seguinte vídeo para contextualização

 

1ª Falácia – A crise é culpa dos mercados e do capitalismo

É de senso comum saber que a economia mundial é cada vez mais capitalista e liberal, e é curioso o facto de se verificar que a liberalização tem o condão de trazer crescimento económico. No entanto, da mesma forma que não existem muitas vozes a afirmar que o crescimento económico deriva deste predicado, retirar que os problemas económicos com que nos deparamos são produto destas ideologias não podia ser uma análise mais redutora. Infelizmente sinto que anda meio mundo a enganar o outro meio com as suas teorias conspirativas e com isto as baterias estão todas apontadas para os locais errados. Ao contrário de muitas afirmações em relação às teorias liberais estas não defendem as influências políticas e corporativas que impedem o funcionamento verdadeiramente liberal dos mercados e que por isso os distorcem.

Não se pode assim afirmar de ânimo leve que é o liberalismo e os seus valores que estão por trás dos problemas económicos. O que acontece é que como qualquer teoria económica o maior problema reside na corrupção e fraude a que essas teorias estão sujeitas. Por essa razão é urgente debater formas mais eficazes de impedir os actores desta economia de compadrio.

2ª Falácia – Regulamentação ou Desregulamentação

Uma qualquer entidade deve ter sucesso ou não de acordo com os seus méritos e não por serem favorecidas pelo poder político ou salvas dos seus erros pelo erário público. O que acontece é que todos os dias somos confrontados com práticas menos próprias que não se repercutem nos resultados das entidades. Isto impede a aprendizagem pelo erro, erros esses muitas vezes derivados de práticas fraudulentas. Isto impede que concorrentes mais responsáveis tirem partido da vantagem de não terem incorrido em práticas menos próprias havendo uma distorção do mercado livre e capitalista.

É muitas vezes apontado o dedo a estes casos como resultado da falta de regulamentação das actividades (em particular das financeiras). Dado que uma entidade ao realizar maus negócios deve entrar em insolvência ou em necessidade de restruturar a sua actividade, essa é uma penalização natural dessa situação. Isto além do impacto ao nível dos clientes dessa empresa que naturalmente cambiam para outras empresas que garantam ser mais responsáveis. Logo neste sentido os mercados auto regulam-se. Um aparte importante e que não pode ser esquecido são monopólios que esses sim devem estar bem regulados, mas apenas até ao momento em que consigam criar condições para os eliminar ou minorar.

Via Insurgente deparei-me com um artigo bastante interessante sobre este tema e que poderá ser útil para compreender melhor as causas da crise para aqueles que apontam sempre os mercados e o capitalismo como responsáveis dessa tragédia. A questão final é particularmente elucidativa do confusão que se faz entre alguns dos responsáveis da crise e os verdadeiros capitalistas.

What kind of world is it where the so-called capitalists operate outside the rules of capitalism?

Em relação aos monopólios e às situações de fraude essas sim devem ser regulamentadas com clareza e aí sim deve ser realizada uma punição judicial pelos actos fraudulentos.

In fact, Adam Smith – the father of free market capitalism – was for regulation of banks, and believed that trust is vital for a healthy economy. Because strong enforcement of laws against fraud is a basic prerequisite for trust, Smith would be disgusted by the lack of prosecution of Wall Street fraudsters today.

É importante fazer a distinção entre investimentos que falham porque estando cientes dos riscos os resultados não foram os esperados e negócios que falham porque quem os realiza os faz omitindo os riscos inerentes, por vezes em conluio com outras entidades. A crise do sub-prime e as agências de ratings são bons exemplos desta situação em que mais que regulamentação o importante teria sido deixar os mercados funcionar com todos os problemas que daí pudessem surgir. Desta forma apenas se empurrou o problema para o futuro e mais tarde ou mais cedo a bomba irá explodir, falando unicamente saber quando e quais os impactos.

3ª Falácia – Ligações perigosas com personagens pouco recomendáveis

Por fim, quero desmistificar as acusações gratuitas em relação a personalidades (sendo as ligações a Milton Friedman uma das mais referidas nos últimos tempos) que defendem as teorias liberais com a associação a entidades “impuras”, quando estas acusações são facilmente desmontadas. Não é por repetir uma mentira mil vezes que ela passa a ser verdade, apesar de na mente dos mais incautos essa possa se tornar verdade. Infelizmente é muito fácil fazer ataques descontextualizando ou tomando a parte pelo todo. Curioso que soluções raramente são presenteadas.. Excepção feita clara às soluções mirabolantes de sair do Euro ou de não pagar as dívidas que no contexto actual seriam a maior catástrofe pela qual poderiam fazer passar os portugueses. Se há descontentamento por estarmos a empobrecer o que diriam se de um dia para o outro o poder de compra dos portugueses se reduzisse em 50% como é estimado ser o valor justo por Nomura no caso de voltarmos ou Escudo.

 

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