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Tecnocratas?! Porque não?

Muito se tem discutido sobre o facto dos tecnocratas que agora governam os destinos da Itália e da Grécia não terem sido democraticamente eleitos e por essa razão são governos que os comentadores cá da casa gostam de afirmar não ter um mandato legítimo para governar.

Pessoalmente discordo desta situação porque estes tecnocratas, apesar das pressões que provavelmente existiram para não se realizarem imediatamente eleições, foram aprovados pelos parlamentos democraticamente eleitos pelos cidadãos desses países. Encontrando-se estes países num modelo político de democracia representativa (e não de democracia de rua), não vejo que a legitimidade desapareça porque o parlamento opte por nomear para o governo técnicos que não tenham uma relação directa com o espectro dos partidos dos representantes eleitos.

Julgo que como tem sido hábito, como por exemplo no movimento OWS, o alvo das críticas está a ser mal dirigido.

É na minha opinião muito mais grave que os burocratas que elegemos não passem de ovelhas que seguem o rebanho e cujo único interesse é a reeleição. Estes são em boa maioria a voz de um dono e tiram partido da posição privilegiada em que se encontram para negociatas que lhes são altamente lucrativas e que distorcem a economia, com a agravante de sugarem o erário público o mais que conseguem pelo meio.

Com isto dito, os governos tecnocráticos até podem ser benéficos em situações de crise. Não estando ligados directamente a um partido não são alvo de restrições que impedem os governos partidários de tomar decisões difíceis pelos impactos eleitorais que essas medidas provocam.

Por outro lado, os deputados de todos os partidos passam a estar envolvidos no processo de fiscalização do governo. Isto porque mesmo os partidos maioritários não estando ligados directamente ao governo tecnocrático em função, têm o dever de observar as acções que se pretendem realizar e aprová-las caso exista concordância com as mesmas e não por simplesmente ser o governo do seu partido. Acredito que seriam ainda inibidos alguns exageros relacionados com os ódios inter-partidários o que poderia levar a melhorias significativas do debate democrático.

Infelizmente nada é perfeito e as ligações à Goldman Sachs dos tecnocratas nomeados são no mínimo suspeitas. Não há bela sem senão…

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