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Krugman Show

Durante estas últimas semanas tenho lido vários artigos dos mais diversos quadrantes de opiniões económicas. Entre estas irei aqui destacar o blog do laureado Paul Krugman. Observei aqui uma comparação muito interessante entre dois países europeus (Suécia e Finlândia) cujos sistemas económicos são bastante similares com a diferença significativa de um desses países usar moeda própria e o outro fazer parte dos países do Euro. Paul Krugman, mostra com um gráfico revelante que as taxas de juro a 10 anos entre os 2 países tem divergido negativamente para a Finlândia. Nesse artigo é argumentando que isso se deve às políticas que o BCE vem fazendo de controlo da inflação por aumento dos juros em Abril mas também porque a Filândia fazendo parte do Euro não possui um mecanismo de concessão de crédito de último recurso.

Apesar deste argumento ter a sua lógica, no sentido que um país que possua esse mecanismo consegue com relativa facilidade garantir que paga os seus compromissos, pergunto a que preço vem essa garantia.

Suécia:

  • Prós: Existindo uma qualquer dificuldade em pagar as dívidas o país pode por via do seu banco central imprimir moeda para pagar a dívida, garantindo ao credor que deverá receber sempre o seu dinheiro. Investimento neste tipo de dívida são considerados seguros por esta razão.
  • Contras: Na hipótese do país devedor necessitar de imprimir moeda para pagar a sua dívida, tem como consequência uma desvalorização da moeda, o que penaliza os aforradores, mas também os credores. Isto porque esta acção funciona como um haircut da dívida, dado que o valor que o credor recebe será influenciado por essa mesma desvalorização.

Finlândia:

  • Prós: Caso o compromisso entre credor e devedor seja cumprido o investidor recebe o seu dinheiro sem penalização agravada com a inflação.
  • Contras: Existindo uma qualquer dificuldade em pagar as dívidas do país e não podendo recorrer a uma entidade de concessão de crédito de último recurso o devedor ou realiza reformas de redução de despesa que permitam pagar os compromissos, ou entra em default não pagando a dívida ou renegociando a dívida.

Olhando para esta análise ainda que curta, parece-me que a questão relacionada com a impressão de moeda é uma falsa questão. Isto porque a impressão de moeda do nada não passa de uma forma encapotada de entrar em default. Entre as duas hipóteses, a única vantagem que visualizo para os credores é que em caso de default de um país que possa imprimir moeda os prejuízos são repartidos com os cidadãos que poupam. Será essa repartição dos riscos com quem pouco teve a dizer sobre o assunto justo e o suficiente para explicar a diferença nas taxas entre países com estas condicionantes?

Mantendo-me ainda nos mais recentes artigos de Krugman é-nos mostrado uma comparação entre os balanços dos PIGS e a Alemanhã e apresentada a hipótese da Alemanha executar um programa expansionista que permita minorar as consequências da aplicação da necessária austeridade nos países em dificuldade com o qual consigo concordar. Por outro lado, consigo compreender que a Alemanha queira garantir que os países em dificuldade estão empenhados em efectuar as suas reformas e por essa razão adie esse programa, mas se ainda existe alguma hipótese do Euro sair “incólume” desta crise, penso que este será um dos passos necessários.

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