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Privatização da RTP e os privados já instalados

Com as constantes notícias sobre a futura privatização de um canal da RTP o Dr. Pinto Balsemão veio recentemente defender que a mesma iria criar sérios problemas às empresas privadas já existentes no sector. Isto porque as receitas sobre a publicidade tenderiam a diminuir com um aumento da oferta de espaço publicitário que a privatização da RTP1 naturalmente geraria. Até aqui não há grande novidade dado que havendo uma maior oferta ao nível do espaço publicitário os preços de venda desses espaços tendem a sofrer depreciações. É a lei da oferta e procura. O problema não está nesta verdade à lá palice, mas sim nas pressões efectuadas com a ameaça da ruína dos actuais players privados do sector audiovisual português!

Consigo perceber que o Dr. Pinto Balsemão queira o seu ganha pão bem monopolizado e controlado para garantir a sua renda. No entanto, como aqui é muito bem exemplificado isso é o que acontece nos diferentes sectores concorrenciais da economia! O que o Dr. devia ter falado é que o momento sendo difícil exige um potenciar dos rendimentos publicitários através de uma programação capaz de atrair mais espectadores e com isso ganhar margem negocial para vender o seu espaço publicitário por valores superiores, ou seja criar valor para os seus clientes! Em alternativa poderia ainda explorar novas fontes de receita, mas pensar em como atacar esses nichos é mais difícil que manter o status quo!

Não quero com isto dar a ideia que concordo em absoluto com todos os dados que nos chegam sobre a futura privatização da RTP.

No entanto, queria destacar aqui a preocupação em relação à obrigatoriedade do futuro comprador usar os meios actuais de produção ao dispor da RTP, que serão restruturados e inseridos numa nova empresa. Na minha opinião o problema de se criar mais concorrência num sector já saturado nem se coloca. Afinal de contas, suponho que a própria RTP já use esses meios para as suas produções e por isso ao futuro comprador a não ser que já tenha interesses numa outra empresa da área, só vislumbro vantagens em tornar-se sócio de um empresa com conhecimento da área de produção. Além da ideia errada que é pensar que haver mais concorrência é necessariamente uma coisa má.

Enfim na intervenção de Pinto Balsemão vejo uma forma de pensar de muitos portugueses que gastam o seu precioso tempo mais preocupados em garantir o seu status quo do que em criar valor para as suas empresas. Urge alterar esta forma de pensar em todos os sectores económicos portugueses de forma a garantir uma transição mais duradoura da crise que atravessamos.

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